"A Contagem dos Anos na Era Cristã"
- Alex Borges

- 22 de fev. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 3 de mar. de 2020
Todos nós sabemos que os anos começaram a ser contados a partir do nascimento de Cristo, dividindo a história da humanidade em antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). O que poucos sabem é como e quando se tomou essa decisão.
Por volta dos anos 600 d.C. cogitou-se considerar a data do nascimento de Cristo como o ano zero.
O monge Dionísio, o Pequeno, que viveu no século VI, foi quem se preocupou e quem estabeleceu a data de nascimento do Redentor, fixada então em 25 de dezembro de 753 da fundação de Roma.
A Igreja acolheu a data de 25 de dezembro como o dia do nascimento de Jesus Cristo porque o dia de Natal se sobreporia, assim, às celebrações do solstício de inverno e à festa de Mitra, deus da luz, que os antigos festejavam justamente nesse dia. Assim, a Igreja cristianizou essas festividades pagãs, fornecendo-lhes simbolismos cristãos e uma nova linguagem cristã.
A fonte cronológica relativa ao ano de nascimento de Cristo é uma passagem do Evangelho de Lucas (2, 1-2):
Segundo essa passagem, naqueles dias, apareceu um edito de César Augusto ordenando o recenseamento de todo o mundo habitado. Esse recenseamento foi o primeiro realizado quando Quirino era governador da Síria, com o alistamento de todos, cada um em sua própria cidade. Nessa época, consta que José saiu da região da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a região da Judéia, para cidade de Davi, chamada Belém, a fim de se inscrever no recenseamento com Maria, sua esposa, que estava grávida.
Mateus (2, 1-2) acrescentou a estrela dos Magos à narrativa e, sobretudo, colocou o nascimento de Jesus no tempo do reino de Herodes, também mencionado por Lucas (I, 5), indiretamente.
A partir dessas fontes e depois de muitos cálculos, Dionísio pensou que poderia estabelecer o ano preciso da morte de Herodes – consta que Jesus nasceu no ano em que Herodes morreu. Mas se enganou, pois o soberano morreu certamente no ano 4 a.C. É ainda mais difícil estabelecer o tempo exato do recenseamento de Quirino, que aconteceu, de qualquer forma, entre os anos 7 e 6 a.C.
O sistema estabelecido por Dionísio foi adotado muito lentamente. Pode-se dizer que só se difundiu realmente no século IX d.C. (no tempo de Carlos Magno). Hoje, os historiadores concordam em considerar que Cristo nasceu cinco ou seis anos antes do que propõem os cálculos do monge; portanto, o nosso milênio terminou antes que nos déssemos conta.
Mesmo assim, a datação do nascimento de Cristo impôs-se em todo o mundo, independentemente da religião praticada. Para os muçulmanos, o ano de 622, teoricamente o primeiro de sua era, foi substituído pela contagem à maneira ocidental.
Portanto, todos os nossos “quando?” são ligados à convenção da Igreja e ao cálculo — ainda que errado — de um monge medieval.









Muito obrigado por seu precioso comentário!!! Quero deixar uma nota de apoio ao comentário de nosso nobre irmão Luis Carlos: Os eventos bíblicos, do ponto de vista histórico, no que diz respeito ao ato comprobatório por meio de evidencias físicas, estão diretamente regulamentados pela a ação do "CRONOS"(tempo), arqueologicamente falando, muitas evidencias que poderíamos classificar como canônicas, não resistiram às ações do Cronos. No entanto, existem algumas maneiras que, não obstante a escassez, ou até mesmo a inexistência de evidências físicas e canônicas, se é possível inserir tais eventos, dentro do campo da probabilidade, e com isso, estimar a veracidade desses acontecimentos. Uma dessas maneiras, é se valendo de literaturas e tradições que regulam a mesma época, e que possu…
"A Contagem dos Anos na Era Cristã", artigo bastante esclarecedor, muito especialmente no que diz respeito à data do nascimento de Jesus, que não passa de mera convenção ou simplesmente pagã. No que tange às mortes dos apóstolos, eu gostei, embora não existam fontes, historicamente falando, que esclareçam melhor as passagens dos nossos amados primeiros irmãos em Cristo